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Novo Congresso Nacional tem perfil ainda pior para os trabalhadores
Apesar da renovação de 53,4% na Câmara dos Deputados e de 85% no Senado, bancadas eleitas são majoritariamente de partidos que votam contra direitos

O Congresso Nacional terá a maior renovação dos últimos 24 anos, mas isso não é uma boa notícia. A chegada de novos parlamentares à Câmara dos Deputados, 53,4%, decorre principalmente da grande votação recebida por candidatos do PSL, de Jair Bolsonaro, que acabou elegendo 52 deputados. No Senado, a renovação será de 85%: apenas 8 das 54 vagas disputadas serão ocupadas por candidatos que buscavam a reeleição na votação do último domingo (7).

“Foi um resultado que superou nossas expectativas, pois em todos os outros anos, depois de 1994, a mudança dos quadros ficou abaixo dos 50%”, afirma Antônio Augusto de Queiroz, diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) e analista político.

Apesar disso, o Congresso será o mais conservador de todos os tempos, de acordo com a avaliação do Diap. Além do aumento da bancada do PSL, que passará a ser a segunda maior legenda da Casa, o número de parlamentares novos de outros partidos tem predomínio das chamadas "bancadas BBB": a da bala (dos parlamentares que representam forças policiais e militares), do boi (os que integram o setor ruralista) e da bíblia (evangélicos).

“Há muitos policiais, muitas celebridades e também muitos representantes de setores das igrejas evangélicas. Seguramente será o Congresso mais conservador de todos os tempos”, disse Queiroz. “No Senado, há uma característica muito forte de circulação do poder. São pessoas que já exerceram outros cargos, que eram secretários estaduais, deputados etc. E que agora chegam ao Legislativo”, completa Queiroz.

Para Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), a classe trabalhadora deverá estar atenta e organizada na defesa de seus direitos. “Muitos desses parlamentares foram eleitos por partidos que sempre se posicionaram contrários aos direitos trabalhistas, que votaram a favor da terceirização, da PEC que congelou os investimentos em saúde, educação, que são a favor das privatizações, da entrega do patrimônio público brasileiro aos estrangeiros”, lembra.

“A eleição desse tipo de parlamentar representa um grave risco à classe trabalhadora”, afirma a dirigente. “No segundo turno, precisamos estar ainda mais atentos. Há dois projetos muito diferentes em disputa e, a depender de quem for eleito, a categoria bancária corre muitos riscos”, ressalta Juvandia, lembrando que Paulo Guedes, economista chefe da campanha de Jair Bolsonaro, já afirmou que privatizará todas as empresas públicas.

O presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, endossa o alerta. “Por isso, orientamos que os colegas da Caixa pesquisem as propostas de governo e o que os candidatos pensam a respeito do banco e de outras empresas públicas. Como temos dito já há algum tempo, o futuro da Caixa está diretamente ligado ao futuro do Brasil. E tudo isso está ligado à escolha que faremos no dia 28 de outubro. Não tem sentido votar em quem defende a privatização do banco e a retirada de direitos dos trabalhadores”, adverte.

 

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